Quando eu era criança queria muito um carro da Barbie, um que vi num quintal vizinho, ele era rosa, era da boneca, mas quem dirigia era eu, sabe? Esses carrinhos que hoje em dia tem de monte nas lojas de brinquedo, mas na minha época, há alguns anos atrás não era tão comum. Então eu pedi o tal carro, desejei ele como hoje eu desejo um carro de verdade. Pedi pra minha mãe, que repassou o pedido ao meu pai. Por fim ganhei um carro da Barbie, mas era pra BONECA dirigir, fiquei muito desapontada, expliquei como era o carro que eu queria, e disseram que em outra data eu ganharia. Ai, como eu desejei aquele outro carro, rosa, que EU ia dirigir, não a magricela da Barbie (pff).Eu nunca ganhei o carro rosa (mãe não leia isso, nem fiquei com peso na consciência). Mas eu desejei, ô se desejei, acho que no momento era o que eu mais queria na vida.
Me lembrei dessa história, pq uma muito parecida aconteceu por esses dias, uma coisa que eu queria há cinco anos atrás (um pouco menos que o carro da Barbie) se realizou. Algo que há anos atrás eu desejei, passei uma noite inteira chorando e pensando, um dia ele volta atrás, vai ver o que fez, vai se arrepender e me querer de volta. Na verdade não foi bem isso que aconteceu, ele não voltou quando eu queria, nem pelos motivos que eu desejava. Mas voltou, e por um instante me quis de novo.
Hoje, se eu ganhasse um carro da Barbie, não aquele que eu queria, um outro, de nada me serviria, porque eu mudei, cresci, apesar de achar um sarro e até querer entrar nele, eu não caberia mais, as pessoas achariam estranho uma menina de 20 anos nas costas, montada em um carro da Barbie. Do mesmo modo, eu achei estranho me imaginar de novo com aquele ex namoradinho do passado, aquele que ficou bem guardadinho no passado, junto com as cartas, desenhos e rosas secas.Dentro de uma caixinha de recordações.
Esses acontecimentos, do carro da Barbie e do ex ilustram bem aquela frase de Heráclito, que um homem não pode banhar-se duas vezes no mesmo rio. Não pode porque tudo muda, o homem não é mais o mesmo, nem o rio. Eu felizmente, não sou a mesma menininha que pediu o carro da Barbie e ficou desapontada, nem a mesma adolescente em crise e egoísta que achava que um pé na bunda era o fim do mundo! As coisas mudam, tudo muda, e a gente se adapta pra não sofrer. Eu tive de brincar com o carro da Barbie, que na verdade era um Jeep, e tive de superar a perda, não só àquela de anos atrás, do namoradinho, mas muitas outras que tive pelo caminho depois!
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